Thursday, August 19, 2010

#3 Marrocos - Day 2

Bem, neste segundo dia tínhamos como objectivo a visita à região. Acordámos cedo, depois de uma noite mal dormida devido ao excesso de calor que se fazia sentir no quarto e na zona. Apesar do quarto ter AC, este fazia demasiado barulho e também não me apetecia acordar todo assado da garganta. Por volta das 9h30 fomos tomar o pequeno almoço e aqui deu para ver o local onde estávamos, algo que não foi perceptível na noite anterior. A primeira coisa que saltou à vista foi a maneira como as casas nessa zona estão construídas, com barro e palha, tal como o albergue onde ficámos. Tivemos todas as condições necessárias e com um suplemento agradável, uma piscina fresquinha, para além da vista magnifica.


Depois do pequeno almoço, tínhamos o Ismail já à espera para começarmos a nossa aventura. A primeira paragem foi um oásis que se encontrava perto do albergue. Onde existe um poço, com canais subterrâneos, que se subdividem para regar pequenas hortas pertencentes a várias famílias.

Novamente a caminho, entre as dunas e o chamado deserto de pedra, onde encontrámos uma aldeia com várias casas. De repente, começam a aparecer miúdos não sei bem de onde... por detrás das ervas, casas e montes, e vêm direitos a nós para nos vender colares brincos utilizando todos eles feitos com os fosseis encontrados nas rochas. Obviamente não queríamos nada daquilo, mas como a Sandra dos Trilhos Salama já nos tinha avisado para se quiséssemos levar canetas e lápis, a São começou a oferecer aos putos. Começa-se a gerar uma pequena confusão, porque todos queriam algo. "Senorita Senorita" diziam os putos. Tivemos que arrancar com os putos quase agarrados à porta do jeep...


Agora, imaginem aquele local no meio do nada, num vale extenso, de um lado montes de pedra ( as dunas aqui já se acabaram), do outro uma planície quase que a perder de vista, encontrámos uma tenda de uma família nómada, um ponto de paragem já definido pelo Ismail.



Demos uma olhadela às instalações da "barraca" e depois sentamo-nos com a mulher na tenda a beber um chá. Ficámos a saber que o marido estava a dormir num "quartinho", o filho de 6/7 anos tinha ido à caça, uma filha à água e a outra às compras à aldeia mais próxima.



O miúdo mais tarde apareceu, mas com muita vergonha o que o fez desaparecer logo em seguida. A mãe disse-nos que ele tinha apanhado qq coisa que foi por a assar. A filha que tinha ido à agua tb apareceu com o burro carregado de água.


Continuámos a nossa viagem, com paragens em locais onde se fazem/trabalham os fosseis que se vendem nas lojas ( grandes pedras extraídas das montanhas e depois são partidas e trabalhadas). Parámos também noutro poço, perto de uma aldeia, onde a São tomou um banho, mas tivemos que sair a correr, porque novamente, os putos começaram a nascer das ervas. Outra paragem num outro albergue para beber um chá e descansar um pouco. Voltámos ao nosso albergue, passando por outras aldeias.


Neste trajecto, deu para ter uma ideia do que eles chamam de deserto negro...


Já no albergue, refrescámo-nos na piscina. O pessoal que lá trabalhava andava já ao banho, assim como 4 espanholas que tb lá estavam instaladas. A tarde foi de sesta durante 1h para evitar a hora de maior calor. Saimos com direcção a Merzouga. Aqui, sentámos-nos no albergue do tio do Ismail, a beber um cházinho e a ver o tradicional banho de areia. O banho de areia, é um ritual da relegião deles, em que as pessoas se enterram nas duras, durante 10 a 15m todos nus (de cuecas), só com a cabeça de fora. A cabeça está coberta com a manta que eles depois se enrolam para ir para casa. De notar que para os mais corajosos, o buraco é aberto de manhã para a areia aquecer mais um pouco.




De repente, o tio dele diz que vem ai uma tempestade de areia. Só tivemos tempo de acabar o chá, e dirigirmo-nos para o jeep. Aqui já a areia batia nas pernas e aleijava...de referir que nesta altura o termómetro do carro marcava uns míseros 50ºC.




Como começou a tempestade de areia, fomos a uma outra aldeia, Khamli ver uma tribo de nove Groupe des Bambaras, também conhecidos como gnawas ou gnaouas, são descendentes dos escravos que vinham da África Negra. Tocam djambés, umas castanholas de metal e alaúde de corda.




Depois de o tempo ter acalmado, dirigimo-nos para as dunas de Erg Chebbi, onde estavam dois dromedários à nossa espera para nos transportar pelo interior das dunas às tendas nómadas onde iríamos dormir.


Andar de dromedário não é coisa que queira repetir num futuro próximo. Antes quero fazer 50km no selim confortável da minha bike. Além disso, já estava a escurecer a meio do trajecto. Tivemos que fazer um bom bocado do caminho a pé, visto que algumas dunas estavam a ficar muito inclinadas, e os dromedários já patinavam a subir.




Este foi o trajecto realizado de dromedário

Quando chegámos ao outro lado das dunas, lá estava o Ismail à nossa espera. Bebemos mais um chá, e de seguida fomos jantar. Foi servido à luz das velas, primeiro com uma salada tradicional, depois umas almôndegas feitas no tagine. Eu gostei do sabor apesar da São não ter achado o mesmo.


No fim do jantar, tivemos direito a mais uma sessão de djambé e um violão todo esquisito que um dos marroquinos tinha. A São ainda se aventurou a tocar, depois ainda tive que fazer figuras de urso a dançar ( não há registos disso)...


Já perto das 23h, subimos ao topo da duna para apreciar o belo momento. E que agradável se estava la em cima.


Quando se começou a levantar um vento, dirigimo-nos para a tenda e logo verificámos que a noite, mais uma vez, não iria ser fácil com o calor que se fazia sentir lá dentro. Coloquei o despertador para as 5h da manhã para podermos assistir ao nascer do sol.


Este é o mapa da viagem realizada por nós neste dia. Ampliar para ver o trajecto.


Podem ver o resto das fotos referentes a este dia aqui neste link...

Continua aqui: Day 3

4 comments:

VITOR said...

São - se fizeres favor mostra a foto do Eduardo a dançar...

eu prometo que não me vou rir...hihihihihihihihihihihihihihihihihihih

Joca said...

Mais uma vez fotos espectaculares!

É impressionante como esse pessoal vive... com aquele calor, só areia e camelos!!!! É de um gajo dar em doido.

Afinal o que é que o puto caçou?!?! O que há no deserto para caçar?

cadu1981 said...

Vitor, não ha fotos nem videos. Tb eu não chamava aquilo dançar...

cadu1981 said...

João, acho que foram os dias mais produtivos em termos de fotos espectaculares.

O pessoal vive assim porque não tem outro metodo, e já tão habituados. Alem disso, via-se mts casas com painéis solares e antenas parabólicas!!!

Acho que o que puto caçou é uma rato do deserto ou qq coisa assim. Na me perguntes. Os unicos animais que vi acho que foi cabras e burros em miniatura...